ESCOLA DO CAMPO/ESCOLA RURAL NA AMÉRICA LATINA: CONCEITOS E DELIMITAÇÕES NO BRASIL E NA VENEZUELA
DOI:
https://doi.org/10.26694/rles.v30i62.7053Palavras-chave:
América Latina, escola do campo, escola rural, ruralidades, urbano/ruralResumo
Este estudo apresenta uma reflexão acerca do conceito de Escola do Campo no Brasil e Escola Rural na Venezuela e tenciona as discussões sobre ruralidades e as definições operacionais utilizadas pelas instituições do Estado brasileiro e venezuelano para delimitar rural e urbano. A crescente complexidade das ruralidades na América Latina, bem como a caracterização desses países como urbanizados têm afetado o delineamento das políticas públicas direcionadas aos povos do campo. Diante disso, desenvolvemos uma pesquisa bibliográfica (Köche, 2011) com referência teórico-epistemológica no Materialismo Histórico Dialético (Netto, 2011), cujos resultados evidenciam que a Escola do Campo/Escola Rural reflete as contradições históricas, políticas e sociais do contexto latino-americano, além de se configurar como instrumento fundamental de luta pela emancipação das populações camponesas. Os dados analisados apontam ainda a necessidade de uma revisão das definições acerca do conceito de rural e urbano no Brasil, de modo a reconhecer como diferentes os territórios, os sujeitos e as escolas, bem como, uma evolução do conceito de ruralidades ao abarcar as novas funções sociais e educativas desempenhadas pelos sujeitos camponeses.
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