POLÍTICAS INCLUSIVAS NA INTERFACE COM A EDUCAÇÃO DO CAMPO: DESAFIOS E POSSIBILIDADE EM UMA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO NO NORDESTE PARAENSE
DOI:
https://doi.org/10.26694/rles.v30i63.7611Palavras-chave:
Educação Inclusiva, Educação Especial, Educação do Campo, AnticapacitismoResumo
A pesquisa teve como objetivo caracterizar a implementação das Políticas Públicas de Educação Especial no âmbito da Educação Inclusiva e analisar sua interface com a Educação do Campo em uma escola pública estadual localizada no contexto amazônico do nordeste paraense. Buscou-se compreender a realidade da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Patalino, no município de Bragança (PA), enfatizando as mudanças ocorridas nos últimos anos e discutindo possibilidades para a inclusão de estudantes do Ensino Fundamental com deficiência a partir de uma perspectiva anticapacitista. O estudo foi desenvolvido por meio da análise documental das matrículas, de entrevistas semiestruturadas com estagiárias do Apoio Escolar que atuam com o público-alvo da Educação Especial e da aplicação de um questionário de caracterização dos sujeitos envolvidos. Consideraram-se, ainda, as legislações e diretrizes que orientam práticas inclusivas nos espaços educativos e que contribuem para o enfrentamento do capacitismo nas escolas do campo. Os resultados indicam a ausência de formação específica das estagiárias para atuar com estudantes com deficiência, a sobrecarga de responsabilidades atribuídas a essas profissionais em formação e a precariedade da estrutura física da escola, que compromete a mobilidade de estudantes cadeirantes e evidencia a inexistência de sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Conclui-se destacando a necessidade de fortalecimento das políticas públicas e da luta pelos direitos das pessoas com deficiência, garantindo-lhes acesso e permanência em escolas de suas próprias comunidades rurais em condições dignas e inclusivas.
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