O DISPOSITIVO DE RACIALIDADE E AS COTAS RACIAIS: UMA ANÁLISE DO DISCURSO INSTITUCIONAL DA UFRJ
DOI:
https://doi.org/10.26694/rles.v29i61.6115Palavras-chave:
cotas raciais, universidade, políticas afirmativas, discurso institucional, dispositivo da racialidade, cotasResumo
Como parte de uma pesquisa de doutorado buscamos neste artigo o entendimento de como foram os discursos institucionais na Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre o tema das cotas raciais na época de sua implementação, para isso elaboramos uma análise das notícias na mídia institucional, onde observamos que os discursos eclodem por volta do início dos anos 2000, por ocasião da proposição da PL 73/99 e concomitantemente ao “caso Ari", evento que que evidenciou a necessidade e posteriormente inspirou as cotas raciais na UnB. Partindo do conceito de dispositivo, na perspectiva oferecida pelo filósofo Michel Foucault e potencializada na construção teórico-analítica oferecida por Sueli Carneiro, observamos que em meio a muitos debates, os discursos desse momento histórico podem ser separados em pró ou contra cotas. O posicionamento oficial da UFRJ, nos discursos presentes nas notícias do site analisado, seria contrário às cotas raciais em detrimento às cotas sociais, tal como ocorre em outras instituições e em posicionamentos de pesquisadores e estudiosos na época. Todo esse apanhado de discursos pode nos mostrar como a sociedade entende racismo, negritude e diversidade étnico-cultural em consonância com a noção de dispositivo da racialidade, conceito operatório que permitiu a articulação entre racialidade e cotas raciais, dimensões em que a discussão sobre as cotas emerge. Compreendendo a dinâmica das relações raciais no Brasil, por meio do dispositivo da racialidade, observamos aspectos na sociedade brasileira que evidenciam a negação e interdição de poderes, saberes e subjetividades sobre o tema.
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