SOMOS BRASILEIROS E, TAMBÉM, SOMOS LATINOS: A EDUCAÇÃO DO CAMPO NA CONFORMAÇÃO DE UMA CONSCIÊNCIA E IDENTIDADE LATINO-AMERICANAS
DOI:
https://doi.org/10.26694/rles.v30i62.7728Palavras-chave:
Educação do Campo, Identidade e Consciência Latino-Americana, Campesinato, Ontologias originárias, EpistemologiasResumo
O artigo apresenta o papel do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Educação do Campo na conformação de uma consciência e uma identidade latino-americanas na formação educativa de suas escolas. Para tanto, apresenta-se a centralidade da teoria social e do pensamento pedagógico latino-americano e caribenho como projeto histórico de conhecimento, ao reivindicar uma descolonização do pensamento como condição imprescindível para uma emancipação política. Do mesmo modo, o artigo destaca o legado dessa tradição teórico-política na trajetória política dos povos originários, afrodiaspóricos e do campesinato e suas contribuições na materialização de concepções próprias de um projeto educativo. Nesse sentido, as experiências educativas e pedagógicas erigidas por essas lutas evidenciam o potencial formativo das ontologias e epistemologias originárias e do campesinato na formação política, de um ethos identitário e de uma consciência latino-americana, especialmente no Brasil, país marcado por uma negação histórica de sua identidade e pertença à América Latina.
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