MULHERES NEGRAS NA PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA EM TEMPOS DE PANDEMIA DE COVID-19
DOI:
https://doi.org/10.26694/rles.v30i63.6475Palavras-chave:
Resiliência acadêmica., Pandemia de Covid-19, Pós-graduação, Mulheres pretas, Saúde mentalResumo
O objetivo deste estudo é investigar os impactos da pandemia de Covid-19 nos aspectos acadêmicos e psicológicos de estudantes negras (autodeclaração de pretas e pardas) no Brasil. A abordagem foi quantiqualitativa com a aplicação de um questionário a 1.528 participantes, sendo 1.152 mulheres pardas e 376 pretas, de todas as regiões do Brasil, durante o período de isolamento social. Os resultados revelam que o acesso à pós-graduação está fortemente relacionado a fatores socioeconômicos, evidenciando desigualdades no sistema educacional, especialmente em relação à população negra, que enfrenta barreiras históricas. Além disso, identificamos altos índices de ansiedade e depressão, principalmente entre mulheres jovens, que relataram desmotivação, falta de concentração e dificuldades em conciliar as atividades acadêmicas com a vida pessoal. Essas estudantes enfrentaram desafios no cumprimento de prazos e na produtividade e demonstraram resiliência diante de um futuro incerto. Embora estejam em um nível avançado de ensino, a maioria das participantes não buscou apoio de profissionais especializados e não recebeu o suporte necessário das instituições de ensino. É crucial que os cursos de pós-graduação brasileiros reconheçam a crise de saúde mental e implementem medidas de apoio no período pós-pandêmico, como espaços de acolhimento e ações para promover a equidade. Este estudo enfatiza a necessidade urgente de políticas afirmativas robustas para garantir uma trajetória acadêmica saudável e plena para todas as estudantes negras brasileiras.
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