“Liberdade que pesa”: o paradoxo da autonomia no trabalho de motoristas por aplicativo
DOI:
https://doi.org/10.26694/reufpi.v15i1.6817Palavras-chave:
Saúde Ocupacional, Segurança do Emprego, Tecnologia da InformaçãoResumo
Objetivo: Analisar o paradoxo da autonomia no trabalho de motoristas por aplicativo. Métodos: Tratou-se de uma pesquisa de natureza analítica com abordagem quanti-qualitativa. Participaram do estudo 24 motoristas por aplicativo da região metropolitana de São Luís, Maranhão. A amostra foi selecionada pela técnica snowball e definida através do critério de saturação teórica. A análise dos dados qualitativos foi realizada à luz da análise temática de conteúdo e a análise quantitativa realizada através de estatística descritiva. Resultados: Os participantes são na maioria homens, solteiros, com ensino superior completo e idade entre 25 e 45 anos. Relatam sintomas físicos como dores musculoesqueléticas e psíquicos como ansiedade, insônia e frustração, associados a uma jornada exaustiva e a falta de segurança como um dos principais fatores estressores relacionados ao trabalho que executam. Conclusão: A pesquisa revelou que a autonomia é traduzida pela possibilidade de trabalhar em horários próprios, porém esta liberdade é problematizada quando os motoristas assumem sentirem-se presos às longas jornadas de trabalho para alcance de metas impostas pelo aplicativo. A falta de regulamentação adequada e as condições precárias aumentam as pressões e a vulnerabilidade sobre estes trabalhadores, evidenciando a necessidade de intervenções para melhorar a sua saúde e o bem-estar.
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