O PREDICATIVO E O ENSINO DE GRAMÁTICA NA ESCOLA: CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA GERATIVA

Autores

  • Hermito Leite de Carvalho Filho Universidade Federal do Piauí - UFPI
  • Sandra Quarezemin Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

Palavras-chave:

Ensino de língua portuguesa, Gramática Gerativa, Método negativo, Sintagma, Predicativo

Resumo

A publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) em 1998 representou uma grande mudança para o ensino de língua portuguesa no Brasil, no entanto, não deixou claro como o ensino de gramática deve ser aplicado quando conjugado com o ensino do texto, tendo neste último seu foco principal. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), publicada em 2018, também manteve o foco em uma perspectiva enunciativo-discursiva centrada no ensino do texto. Esses documentos serviram como mote para que muitos professores de língua portuguesa colocassem em xeque o ensino de gramática na escola, com propostas que vão desde uma revisão da gramática normativa ou até mesmo seu total abandono. Neste trabalho, defendemos o ensino de gramática que incentiva o aluno a ser um investigador da língua que usa, um ensino científico da gramática. Esta pesquisa está inserida no âmbito da Gramática Gerativa, especificamente no método do dado negativo (Chomsky, 1957), tendo o sintagma como centro de análise. Elegemos como tópico de investigação o predicativo. A metodologia da gramática tradicional, por meio de perguntas do tipo [o que] ou [quem] para delimitar sujeitos e predicados, limita o aluno a refletir sobre gramática de uma forma mecanicista, não natural. Seguindo os preceitos gerativos, propomos uma metodologia que faça o aluno trabalhar com ferramentas de distinções sintáticas e semânticas que demonstrem a diferença nos predicados. Este trabalho é dedicado principalmente a professores de língua portuguesa e a estudantes de graduação em letras.

Biografia do Autor

Hermito Leite de Carvalho Filho, Universidade Federal do Piauí - UFPI

Professor Adjunto da Coordenação do Curso de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Piauí. Doutorando em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina

Sandra Quarezemin, Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

Professora Associada do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina. Bolsista CNPq-1D, processo 316375/2021-7.

 

Referências

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 1999.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

CARVALHO FILHO, Hermito Leite. A posição do predicativo no PB: uma (re)análise dos postulados tradicionais à luz da gramática gerativa. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal do Piauí, 2015.

FOLTRAN, M. J. As construções de predicação secundária no português do Brasil: aspectos sintáticos e semânticos. São Paulo, 1999. Tese de doutorado – Universidade de São Paulo.

GUERRA VICENTE, H.; PILATI, E. Teoria gerativa e “ensino” de gramática: uma releitura dos parâmetros curriculares nacionais. Verbum – cadernos de pós-graduação, n. 2, p. 4-14, 2012.

HONDA, M. & O’NEIL, W. Triggering science formantion capacity through linguistic inquiry. In: HALE, K. & KEYSER, S.J. (eds.). The view from the building 20: essays in honor of Sylvain Broberger. Cambridge: MIT, 1993, p. 229-256.

KENEDY, E. Possíveis contribuições da linguística gerativa à formação do professor de língua portuguesa. In: Revista Letras. Revista de Letras, v. 1, n. 32, 2013.

KENEDY, Eduardo; OTHERO, Gabriel de Ávila. Para conhecer sintaxe. São Paulo: Contexto, 2018.

MACAMBIRA, José Rebouças. A estrutura morfo-sintática do português. SP: Livraria Pioneira Editora, 1997.

MIOTO, Carlos; SILVA, Maria C. F; LOPES, Ruth E. V. Novo Manual de Sintaxe. São Paulo: Contexto, 2013.

_____________; FOLTRAN, M. J. A favor de small clauses. In: Cadernos de estudos linguísticos, n. 49-Jan-Jul/2007. Campinas-SP

_____________; QUAREZEMIN, Sandra. Sintaxe do português. Florianópolis-SC: LLVV/CCE/UFSC, 2011.

NEGRÃO, E.V; SCHER, Ana Paula; VIOTTI, Evani de Carvalho. A competência linguística. In: FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Linguística I: objetos teóricos. São Paulo: Contexto, 2007.

________________________________________________________. Sintaxe: explorando a estrutura da sentença. In: FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Linguística II: princípios de análise. São Paulo: Contexto, 2008.

PERINI, Mário A. Gramática do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.

PIRES DE OLIVEIRA, Roberta. A linguística sem Chomsky e o método negativo. Revel, vol. 8, n.14, 2010.

___________________________; QUAREZEMIN, Sandra. Gramáticas na escola. Petrópolis-RJ: Vozes, 2016.

TAVEIRA DA CRUZ, Ronald. A gramática gerativa na escola: o pensar linguisticamente. Working Paper in Linguistics, vol. 18, n.2, pp.111-128, Florianópolis, ago/dez,2017.

TESCARI NETO, A. Constituência sintática, ambiguidade estrutural e aula de português: o lugar da teoria gramatical no ensino e na formação do professor. Working Papers in Linguistics, vol. 18, n.2, 2017a, pp.129-152.

Downloads

Publicado

2023-12-30

Edição

Seção

Artigos - Letras