COPIANDO O INIMIGO
COMO O JANONISMO CULTURAL REPLICOU AS ESTRATÉGIAS DA EXTREMA-DIREITA PARA FAZER A CAMPANHA DE LULA
DOI:
https://doi.org/10.26694/2317-3254.rcp.v13i2.6787Palavras-chave:
André Janones], mídias sociais, extrema direitaResumo
O artigo analisa a atuação digital do deputado federal André Janones nas eleições presidenciais de 2022, com foco na campanha informal e coordenada em apoio a Luiz Inácio Lula da Silva. A hipótese inicial é de que Janones apropriou-se das estratégias discursivas da extrema direita, em especial do bolsonarismo, para construir um ecossistema de comunicação digital eficaz, emocionalmente mobilizador e centrado no Telegram. A investigação articula métodos computacionais (análise de sentimentos e modelagem de tópicos) com uma análise qualitativa ancorada nas cinco funções metalinguísticas do populismo digital delineadas por Letícia Cesarino (2020): fronteira amigo-inimigo, equivalência líder-povo, mobilização permanente por ameaça e crise, espelhamento do inimigo e canal midiático exclusivo. Os resultados evidenciam que Janones operou como uma “vanguarda digital”, promovendo narrativas polarizadoras, instruções estratégicas para seus seguidores e conteúdos de forte apelo emocional. O Telegram emerge como centro de comando da campanha, de onde partiam orientações para atuação coordenada em outras plataformas. A comunicação de Janones combinou apelos afetivos, linguagem memética e estratégias de astroturfing para disputar a hegemonia digital. O estudo conclui que o “janonismo cultural” esteve marcado pela apropriação das táticas da extrema direita como forma de enfrentamento na arena digital.
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