ANÁLISE CONTRASTIVA ENTRE OBJETOS INDIRETOS EM ESPANHOL E PORTUGUÊS
Abstract
O objeto deste artigo é uma análise contrastiva entre os usos do objeto indireto espanhol e português, especialmente
o denominado “destinatário”, apontando as aparentes dificuldades encontradas pelos estudantes brasileiros ao
utilizá-lo na escrita. Da mesma forma, estudar-se-ão algumas possíveis causas político-gramaticais para o baixo
rendimento desses alunos em relação ao tema. Por “causas político-gramaticais” entenda-se aqui o embate entre
classes ou entre estados nacionais, o qual provocaria uma espécie de “violência linguística”, que impediria o
desenvolvimento da língua materna em toda as suas possibilidades. Essa violência, por sua vez, seria provocada
por poderosos grupos hegemônicos, cujas metas estariam em tentar distanciar as demais classes da ascensão
social. Desta forma, um dos mecanismos utilizados por eles seria justamente a manutenção de um status quo
linguístico, o que, naturalmente, valorizaria a forma como tais grupos escrevem e falam em detrimento de outras
variações linguísticas. Essa ideia foi aceita e implementada no sistema escolar brasileiro. A consequência é que
se desvalorizaram os estudos gramaticais, ao menos no tocante à gramática normativa padrão. Assim, o estudo
do objeto indireto é tratado como se fosse de menor importância, quando na verdade não o é. Buscar-se-á aqui
uma análise comparativa (do ponto de vista da gramática normativa) entre os principais usos do objeto indireto
espanhol e português, apontando alguns dos problemas enfrentados pelos brasileiros à hora de compreender os
usos e conceitos de dito complemento.