Revisitando memórias com crianças quilombolas: reflexões, aprendizados e práticas de campo
DOI:
https://doi.org/10.26694/rer.v8i1.8380Palavras-chave:
crianças quilombolas;, educação territoriada;, antropologia da infância;Resumo
Este artigo apresenta uma reflexão etnográfica sobre as interações estabelecidas com crianças quilombolas da comunidade Imbiral Cabeça-Branca, na Baixada Ocidental Maranhense. O texto resulta de um exercício reflexivo a partir da pesquisa desenvolvida na dissertação de mestrado realizada entre 2020 e 2022. A partir da revisão das memórias de campo, anotações etnográficas, relatos e desenhos produzidos pelas próprias crianças, discute-se o papel da infância na produção e circulação de conhecimentos no território. O argumento central sustenta que as crianças além de receptoras de saberes, são sujeitos ativos na construção e transmissão de conhecimentos relacionados ao território, às práticas rituais do Tambor de Mina e às atividades cotidianas da comunidade. Metodologicamente, o trabalho dialoga com a antropologia da criança e com perspectivas que compreendem a etnografia como um processo de aprendizagem compartilhada. Assim, buscamos refletir a centralidade das crianças na educação territoriada e na continuidade dos saberes quilombolas.
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