CONFLITOS TERRITORIAIS EM ÁREAS DE FRONTEIRA AGRÍCOLA NO SUL DO PIAUÍ
ANÁLISE DO TERRITÓRIO MELANCIAS - GILBUÉS
DOI:
https://doi.org/10.26694/2317-3254.rcp.v14i1.8898Palabras clave:
fronteira agrícola, conflitos territoriais, agronegócio, grilagem de terras, sul do PiauíResumen
Este artigo analisa os conflitos territoriais associados à expansão da fronteira agrícola no sul do Piauí, com foco no Território Melancias, localizado na região do Cerrado piauiense. O tema insere-se no debate sobre a territorialização do agronegócio, a financeirização da terra e os processos de grilagem e expropriação de comunidades camponesas e tradicionais. O objetivo é compreender como a expansão do agronegócio, especialmente da soja, reconfigura o espaço agrário regional, produzindo conflitos fundiários, socioambientais e jurídicos, articulados às especificidades históricas da formação agrária piauiense. Metodologicamente, o estudo adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica, análise de dados secundários (relatórios institucionais, estatísticas oficiais e documentos de organizações sociais) e no referencial teórico da noção de fronteira, conforme elaborada por José de Souza Martins. Os resultados indicam que a fronteira agrícola no sul do Piauí se constitui como um processo social marcado pela sobreposição de temporalidades, pela privatização de terras públicas e pela despossessão de populações tradicionais, revelando que a violência e a insegurança jurídica não são desvios, mas componentes estruturais da expansão do capital agrário. Conclui-se que os conflitos no Território Melancias expressam a contradição entre o modelo agroexportador dominante e os direitos territoriais, culturais e ambientais das comunidades locais, evidenciando a necessidade de novos paradigmas de desenvolvimento e de políticas públicas voltadas ao reconhecimento dos territórios tradicionais.
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