Uma releitura pragmatista do infinitismo de Peter Klein

Autores

  • Edna Magalhães Universidade Federal do Piauí
  • Dayvide Magalhães UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

DOI:

https://doi.org/10.26694/pensando.vol16i39.6781

Palavras-chave:

Infinitismo. Ceticismo. Pragmatismo. Epistemologia.

Resumo

O ceticismo pirrônico, em específico aquele que apela para o argumento do regresso, alega que não podemos saber que algo é o caso ou que algo não é o caso, pois sempre nos faltará razões garantidoras de conhecimento. Isso impõem à epistemologia contemporânea a tarefa de elaborar uma proposta teórica que desabilite a tese cética e ofereça uma resposta adequada ao puzzle (quebra-cabeça) do ceticismo pirrônico. Na epistemologia contemporânea, podemos citar pelo menos três caminhos possíveis: o fundacionismo (e suas diversas vertentes), o coerentismo (e suas diversas vertentes) e o infinitismo proposto por Peter Klein. O infinitismo, conforme Peter Klein apresenta, traz algumas fragilidades e, por isso mesmo, segue sendo alvo de críticas contundentes. Acreditamos que a filosofia pragmática de Charles Sanders Peirce pode nos servir de inspiração teórica para uma possível releitura do Infinitismo. As respostas para salvar a epistemologia das investidas céticas, seja pela contestação dos frágeis critérios de justificação, seja aqueles fornecidos pelas soluções limitadas do naturalismo e do falibilismo, bem como do infinitismo, podem, a nosso ver, ser vislumbradas no horizonte de uma análise pragmática da investigação, pois a base de investigação (empírica ou não) é pragmaticamente determinada, conforme Peirce, em cada investigação, em cada programa de pesquisa ou tradição de investigação. Com isso, propomos que uma teoria infinitista inspirada no pragmatismo de Peirce pode nos oferecer uma alternativa adequada frente ao ceticismo do regresso epistêmico.

Biografia do Autor

Edna Magalhães, Universidade Federal do Piauí

Possui graduação em Licenciatura Plena em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí (1985), Especialização em Filosofia Contemporanea - PUC - MG (1995), Mestrado em Educação (Ensino de Filosofia) pela Universidade Federal do Piauí (2002), Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2012), Pós-doutorado em Filosofia, na área de epistemologia contemporânea, realizado na Universidad de Navarra- Espanha(2016/2017) e, está cursando Pós-Doutorado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) sobre o Pragamtismo de Peirce. Atualmente é professora Associada IV, da Universidade Federal do Piauí, lotada no Departamento de Fundamentos da Educação - DEFE/CCE. É professora dos seguintes programas de pós graduação da Universidade Federal do Piauí: Programa de Pós-Graduação em Filosofia - PPGFIL e Programa de Mestrado Profissional em Filosofia - PROF-FILO. É coordenadora do NEFI - NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE ENSINO DE FILOSOFIA UFPI e Sub Coordenadora do NEFEP - NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO E PRAGMATISMO. Desenvolve pesquisa e publica sobre temas que envolve a discussão do naturalismo filosófico, empirismo radical, pragmatismo clássico( Peirce, James e Dewey), neopragmatismo (Richard Rorty) e autores linguísticos como Wittgenstein e Quine. 

Dayvide Magalhães, UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Filosofia - PPGFIL/IFPI

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Publicado

31-01-2026

Como Citar

NASCIMENTO, Edna Maria Magalhães do; OLIVEIRA, Dayvide Magalhães de. Uma releitura pragmatista do infinitismo de Peter Klein. Pensando - Revista de Filosofia, [S. l.], v. 16, n. 39, p. 18–32, 2026. DOI: 10.26694/pensando.vol16i39.6781. Disponível em: https://periodicos.ufpi.br/index.php/pensando/article/view/6781. Acesso em: 5 fev. 2026.

Edição

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ARTIGOS/VARIA

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