Ensino de instrumentos não ocidentais: reflexões decoloniais a partir da etnia Guarani Mbya e do candomblé Ketu

Autores

  • Renan Santiago de Sousa Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

DOI:

https://doi.org/10.26694/caedu.v4i3.3441

Palavras-chave:

Ensino de Instrumentos, Educação Musical Decolonial, Guarani Mbya, Candomblé Ketu

Resumo

O presente texto, escrito em formato de ensaio teórico e amparado pela crítica decolonial, disserta sobre questões éticas, metodológicas e pedagógicas imbricadas ao processo de ensino e aprendizagem de instrumentos não ocidentais. Pretende-se argumentar que determinados instrumentos musicais têm uma relação intrínseca com determinada espiritualidade, grupo étnico e/ou uso social, o que, por conseguinte, levanta reflexões sobre como um(a) professor(a) que não faz parte de tal ambiente cultural deveria (ou não) ensinar sobre tal instrumento para estudantes que também não são oriundos de tal cultura. Dentre diferentes possibilidades, as reflexões aqui tecidas terão como ponto de partida instrumentos provenientes da etnia Guarani Mbya e do candomblé Ketu. De forma geral, o artigo recomenda que as(os) professores(es) interessadas(os) em ensinar músicas e instrumentos de outras culturas busquem também informar as(os) estudantes sobre o contexto cultural, e o uso social e religioso no qual tais instrumentos estão situados. Tal atitude diminuiria a possibilidade de (re)produção de estereótipos sobre tais culturas no processo de ensino de Música e potencializaria a aprendizagem sobre elas, corroborando para o desenvolvimento da sensibilização cultural, bem como uma interpretação instrumental mais bem executada.

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Publicado

2022-12-29

Como Citar

SOUSA, Renan Santiago de. Ensino de instrumentos não ocidentais: reflexões decoloniais a partir da etnia Guarani Mbya e do candomblé Ketu. CAMINHOS DA EDUCAÇÃO diálogos culturas e diversidades, [S. l.], v. 4, n. 3, p. 01–20, 2022. DOI: 10.26694/caedu.v4i3.3441. Disponível em: https://periodicos.ufpi.br/index.php/cedsd/article/view/3441. Acesso em: 17 jul. 2024.

Edição

Seção

DOSSIÊ TEMÁTICO