v. 15 n. 1 (2026): Escrita da História e Cultura Histórica: Contribuições de Teresinha Queiroz à historiografia piauiense e brasileira.

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Escrita da História e Cultura Histórica Contribuições de Teresinha Queiroz à historiografia piauiense e brasileira.

O volume 15, número 1, da Contraponto – Revista do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História do Brasil da Universidade Federal do Piauí, publicado no primeiro semestre de 2026, reúne estudos dedicados à reflexão sobre a escrita da história, a historiografia, a cultura, a memória, as experiências intelectuais e as diferentes formas de produção e circulação do conhecimento histórico. A edição tem como eixo de destaque a trajetória intelectual e acadêmica de Teresinha Queiroz, pesquisadora cuja atuação marcou a produção historiográfica e a formação de diferentes gerações de pesquisadores no Piauí.

Os textos reunidos no volume abordam diferentes dimensões da obra e da trajetória de Teresinha Queiroz, destacando sua atuação como historiadora, professora, pesquisadora, orientadora, organizadora e editora. A partir de diferentes perspectivas, os estudos permitem compreender sua contribuição para a renovação dos estudos históricos no Piauí, especialmente nas pesquisas relacionadas à cultura, literatura, sociabilidades, gênero, educação, família, cidade, memória e história intelectual.

Entre os destaques encontra-se o artigo “Imaginação, imaginasons: um diálogo com Teresinha Queiroz sobre a arte de escrever história”, de Leonardo Carneiro Ventura, que parte da obra da historiadora para discutir as possibilidades da escrita da história. O estudo amplia a reflexão sobre os arquivos e sobre a maneira como o historiador reelabora o passado, incorporando dimensões sensoriais como sons, silêncios, ritmos, vozes e atmosferas. A imaginação histórica é compreendida, assim, não apenas como uma construção visual, mas também como uma experiência de escuta e percepção.

A trajetória profissional e intelectual de Teresinha Queiroz também é analisada no artigo “Teresinha Queiroz: pesquisadora, professora e orientadora”, de Elizangela Barbosa Cardoso, Laura Elisa de Albuquerque Leite Alves e Maria Luana Almeida Feitosa. O texto toma sua história de vida como ponto de partida para compreender a formação de redes de sociabilidade acadêmica construídas ao longo de mais de quatro décadas de atuação. Sua experiência como professora, pesquisadora e orientadora é situada no contexto de expansão do ensino superior e de intensificação da profissionalização feminina.

Em “Entrevistas de Clio: Teresinha Queiroz e seu olhar sobre o pensamento histórico contemporâneo”, Pedro Pio Fontineles Filho analisa aspectos de sua trajetória intelectual e de suas concepções sobre a história. O estudo aborda questões relacionadas à verdade, identidade, cultura, juventude, poder, gênero e temporalidade, permitindo observar como sua produção dialoga com transformações importantes da historiografia contemporânea.

Outro aspecto fundamental apresentado pela edição é a relação entre pesquisa histórica, arquivo, literatura e edição. A atuação de Teresinha Queiroz na organização e publicação das obras de autores piauienses, como Clodoaldo Freitas e Higino Cunha, é recuperada como parte importante de sua trajetória. Esse trabalho contribuiu para preservar, disponibilizar e fazer circular produções intelectuais que posteriormente serviram de base para novas pesquisas de graduação, mestrado e doutorado, estabelecendo uma ponte entre diferentes gerações de estudiosos da história e da cultura do Piauí.

A produção historiográfica de Teresinha Queiroz também aparece relacionada ao estudo da sociedade piauiense em suas múltiplas dimensões. Economia, literatura, sociabilidades, diversões, família, educação, gênero e história urbana constituem alguns dos campos explorados em sua trajetória. A edição evidencia, desse modo, a diversidade de objetos e problemas que marcaram sua produção e sua contribuição para a compreensão das transformações sociais e culturais do Piauí.

As experiências femininas e a participação das mulheres na produção intelectual constituem outro eixo relevante. A edição recupera pesquisas relacionadas à escrita feminina, à educação das mulheres e à trajetória de autoras como Nísia Floresta, Luíza Amélia de Queiroz e Amélia de Freitas Beviláqua. Esses estudos aproximam história, literatura e gênero, permitindo observar as formas pelas quais mulheres participaram da vida intelectual e cultural e enfrentaram os limites sociais impostos às suas experiências.

O volume também contempla estudos voltados à imprensa e à cultura política. O artigo “Páginas em Combate: a imprensa operária como fonte e o jornal A Plebe na Greve Geral de 1917”, de Lívia Eduarda Ferreira da Silva e João Paulo Charrone, discute a imprensa operária brasileira do início do século XX e sua utilização como fonte histórica. A análise evidencia a ampliação dos objetos documentais da historiografia e as possibilidades de utilização dos jornais para compreender imaginários sociais, práticas políticas e relações de poder.

Ao reunir essas diferentes abordagens, a edição estabelece diálogos entre história e literatura, história e memória, história e cultura, história e gênero, além de discutir os próprios caminhos da produção do conhecimento histórico. Os trabalhos demonstram que a escrita da história envolve não apenas a organização dos acontecimentos, mas também escolhas, sensibilidades, interpretações, arquivos e diferentes formas de estabelecer relações com o passado.

O volume pode ser compreendido como uma reflexão sobre o próprio ofício do historiador e sobre os caminhos percorridos pela historiografia piauiense nas últimas décadas. A trajetória de Teresinha Queiroz funciona como um importante ponto de articulação entre pesquisa, ensino, orientação, preservação documental e formação acadêmica, permitindo observar a construção de redes intelectuais e a renovação dos objetos e problemas da pesquisa histórica no Piauí.

Mais do que reunir estudos sobre uma trajetória individual, a edição registra parte significativa da história intelectual e acadêmica do Piauí. Ao colocar em diálogo pesquisadores, estudantes, professores e diferentes gerações de historiadores, a Contraponto evidencia a importância da pesquisa histórica produzida na Universidade Federal do Piauí e a contribuição de Teresinha Queiroz para o ensino, a pesquisa, a formação de historiadores e a renovação da historiografia piauiense.

 

Publicado: 2026-09-29

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