Aprender com os cogumelos a pensar as virtudes nas ruínas do capitalismo a partir de uma ecologia das práticas

Uma leitura de Tsing, Stengers e MacIntyre

Autores

  • Rutiele Pereira da Silva Saraiva Universidade Federal do Piauí (UFPI); Instituro Fedreal do Pará (IFPA)
  • Helder Buenos Aires de Carvalho Universidade Federal do Piauí (UFPI)

DOI:

https://doi.org/10.26694/pensando.vol17i40.8959

Palavras-chave:

matsutake, ecologia das práticas, ética das virtudes, capitalismo, precariedade, Ecologia multiespécies

Resumo

A crise ecológica contemporânea tem gerado debates e desafios para a filosofia, colocando sobretudo a tarefa de pensar a formação de sujeitos capazes de agir em condições de precariedade e interdependência. A partir dos cogumelos matsutake descritos por Anna Tsing; da ecologia das práticas de Isabelle Stengers e da ética das virtudes de Alasdair MacIntyre, este artigo defende que habitar as ruínas do capitalismo requer o cultivo de virtudes desenvolvidas em práticas concretas de convivência, atenção e cuidado. Em um primeiro momento, analisaremos como Tsing concebe a precariedade como condição ontológica da vida contemporânea, trazendo o matsutake como figura filosófica para pensar formas de existência e resistência nas zonas de perturbação. Em seguida, articularemos a ecologia das práticas de Stengers para mostrar que cada modo de agir e conhecer produz sensibilidades próprias e exige atenção às suas condições de sobrevivência. Na terceira parte, retomaremos a estrutura macintyriana das virtudes (prática, bens internos e tradição), para argumentar que ela pode ser lida ecologicamente. O diálogo entre essas três perspectivas nos permite formular cinco virtudes para habitar as ruínas: humildade ecológica; atenção; cooperação; resiliência e esperança prática. Concluímos afirmando a relevância da reflexão sobre o matsutake como um modelo filosófico de persistência relacional em tempos de colapso.

Biografia do Autor

Rutiele Pereira da Silva Saraiva, Universidade Federal do Piauí (UFPI); Instituro Fedreal do Pará (IFPA)

Doutoranda em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), com período sanduíche CAPES/PDSE na University of the Western Cape - UWC, na África do Sul (2023-2024). Mestra em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Licenciada em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), campus Rural de Marabá. Tem interesse e experiência nas seguintes áreas: Filosofia da Arte, Ética e Filosofia Política, com ênfase em estudos de gênero, raça, classe e suas interconexões com questões ambientais e interespécies, sobretudo no contexto do Antropoceno.

Helder Buenos Aires de Carvalho, Universidade Federal do Piauí (UFPI)

Possui graduação em Licenciatura Plena em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí (1988), Mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1996) e Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2004), com estágio doutoral no Boston College, USA (2001). Fez ainda estudos de pós-doutoramento na PUCRS (2010) e UFMG (2018). É Professor Titular da Universidade Federal do Piauí, atuando no Departamento de Filosofia na graduação e no Mestrado e Doutorado em Filosofia. Foi professor do Programa de Mestrado em História do Brasil/UFPI e do Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente/UFPI. Foi Professor Assistente da Universidade Estadual do Piauí (1989-1991).Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: Alasdair MacIntyre, Hans Jonas, ética, racionalidade, tradição, ética contemporânea e filosofia da tecnologia. Foi Chefe do Departamento de Filosofia/UFPI (1997-1999; 2005-2007), Coordenador do Mestrado em Ética e Epistemologia da UFPI (atualmente PPG em Filosofia/UFPI) de 2007 a 2011, e de 2012 a 2016; Coordenador Operacional do Doutorado Interinstitucional em Filosofia UFMG-UFPI de 2008 a 2012; Professor Tutor do PET Filosofia/UFPI (2007-2010; 2011-2017); Sub-Coordenador do PPG Filosofia/UFPI (2025-2026), Coordenador do PPG Filosofia (2026-2027). É Professor do Doutorado em Filosofia da Universidade Federal do Ceará desde 2013. Bolsista de Produtividade da UFPI (2015-2016; 2018); Bolsista de Produtividade PQ CNPq (2018-2021, 2022-2025, 2025-2028). ORCID https://orcid.org/0000-0002-5595-611X.

Referências

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MACINTYRE, Alasdair. Dependent Rational Animals: Why Human Beings Need the Virtues. Chicago: Open Court, 1999.

MACINTYRE, Alasdair. Depois da Virtude: um estudo em teoria moral. Trad. Jussara Simões. Revisão técnica de Helder Buenos Aires de Carvalho. Bauru: EDUSC, 2001.

CARVALHO, Helder Buenos Aires de. Hermenêutica e Filosofia Moral em Alasdair MacIntyre. Curitiba: Editora CRV, 2013.

SOUSA, José Elielton de. As virtudes da responsabilidade compartilhada: uma ampliação da teoria das virtudes de Alasdair MacIntyre. Curitiba: Editora CRV, 2017.

STENGERS, Isabelle. “Notas introdutórias sobre uma ecologia de práticas”. Trad. Sebastian Wiedemann. In: MATTOS, Wladimir (coord.). Artecompostagem’21. São Paulo: Unesp, Instituto de Artes, 2021.

TSING, Anna Lowenhaupt. O cogumelo no fim do mundo: sobre a possibilidade de vida nas ruínas do capitalismo. Trad. Jorge Menna Barreto e Yudi Rafael. São Paulo: n-1 edições, 2022.

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Publicado

31-07-2026

Como Citar

PEREIRA DA SILVA SARAIVA, Rutiele; BUENOS AIRES DE CARVALHO, Helder. Aprender com os cogumelos a pensar as virtudes nas ruínas do capitalismo a partir de uma ecologia das práticas: Uma leitura de Tsing, Stengers e MacIntyre. Pensando - Revista de Filosofia, [S. l.], v. 17, n. 40, p. 95–106, 2026. DOI: 10.26694/pensando.vol17i40.8959. Disponível em: https://periodicos.ufpi.br/index.php/pensando/article/view/8959. Acesso em: 2 ago. 2026.

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