ENERGIA SOLAR, CRESCIMENTO ECONÔMICO E VULNERABILIDADE SOCIAL:

O CASO DE SÃO GONÇALO DO GURGUÉIA (PI)

Autores

  • Alex Gonçalves Almendra Universidade Federal do Piauí (UFPI)
  • Raimundo Batista dos Santos Junior Universidade Federal do Piauí (UFPI)
  • Cláudia Cristina da Silva Fontineles Universidade Federal do Piauí (UFPI)

DOI:

https://doi.org/10.26694/2317-3254.rcp.v14i1.9054

Palavras-chave:

energia solar, vulnerabilidade social, cidadania material, desenvolvimento regional, Cadastro Único, São Gonçalo do Gurguéia

Resumo

        A expansão das energias renováveis tem sido frequentemente apresentada como instrumento capaz de promover o desenvolvimento sustentável, a dinamização econômica e a redução das desigualdades territoriais. No Brasil, a crescente instalação de empreendimentos fotovoltaicos em regiões historicamente vulneráveis tem reforçado expectativas quanto à geração de empregos, à atração de investimentos e à melhoria das condições de vida da população local. Nesse contexto, este artigo analisa a relação entre a expansão da energia solar, a atuação do Estado e a evolução da vulnerabilidade social no município de São Gonçalo do Gurguéia, localizado no sul do estado do Piauí, tomando como referência o processo de implantação do Complexo Solar São Gonçalo. A pesquisa adota uma abordagem quantitativa complementada por análise documental, utilizando dados do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, do Índice de Vulnerabilidade do Cadastro Único, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e documentos de planejamento estadual relacionados à expansão das energias renováveis. Os resultados indicam que, embora o empreendimento tenha contribuído para a atração de investimentos, o fortalecimento da atividade econômica e a consolidação do município como importante polo de geração fotovoltaica, persistem elevados níveis de vulnerabilidade social, especialmente nas dimensões relacionadas ao trabalho e à renda. A análise dos instrumentos de planejamento estadual evidencia a existência de uma atuação governamental consistente na promoção da expansão energética, mas não foram identificadas evidências equivalentes de políticas territorializadas capazes de converter os benefícios econômicos em inclusão produtiva e ampliação da cidadania material. Conclui-se que a expansão da energia solar, isoladamente, não foi suficiente para promover transformações estruturais nas condições de vida da população local, reforçando a importância da atuação estatal por meio de políticas públicas voltadas à inclusão social, à geração de oportunidades e à distribuição mais ampla dos benefícios associados à transição energética.

Biografia do Autor

Alex Gonçalves Almendra, Universidade Federal do Piauí (UFPI)

Alex Gonçalves Almendra é mestrando em Ciência Política pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI). É graduado em Direito, Gestão Pública e Gestão Ambiental. Atua como Analista Técnico de Políticas Sociais no Ministério do Turismo, junto à Secretaria Nacional de Políticas de Turismo, integrando a Secretaria-Executiva do Conselho Nacional de Turismo. Desenvolve atividades relacionadas à governança, participação social e formulação de políticas públicas. Seus interesses de pesquisa concentram-se em desenvolvimento regional, transição energética, cidadania material, desigualdades sociais e políticas públicas. Atualmente, dedica-se ao estudo dos impactos sociais da expansão das energias renováveis em municípios socialmente vulneráveis, analisando as relações entre desenvolvimento econômico, atuação estatal e redução das desigualdades territoriais.

Raimundo Batista dos Santos Junior, Universidade Federal do Piauí (UFPI)

Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e do Curso de Bacharelado em Ciência Política da UFPI. Doutor em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mestre em Ciência Política pela mesma instituição, especialista em Educação - Ensino Superior e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Sustentabilidade Ambiental e Social (NESSAS/UFPI).

Cláudia Cristina da Silva Fontineles, Universidade Federal do Piauí (UFPI)

Bolsista em Produtividade Científica CNPq. Professora Associada da Universidade Federal do Piauí (Departamento de História, Pós-Graduação em História e Pós-Graduação em Ciência Política). Doutora em História pela Universidade Federal de Pernambuco, Mestre em Educação pela Universidade Federal do Piauí. Especialista em História Sociocultural pela Universidade Federal do Piauí e Especialista em História Política Contemporânea pela Universidade Estadual do Piauí. Licenciada em História e em Pedagogia, Graduada em Direito pela Universidade Estadual do Piauí. Desenvolve pesquisas nas áreas de História e Memória, História Política, História e Mídia, História e Cidade, História e Literatura, História dos Esportes, História da Educação, Ensino de História, entre outros temas. Coordenadora Voluntária do Programa de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID/HISTÓRIA/CAPES/UFPI). Autora de livros sobre História, entre os quais, "O Recinto do elogio e da crítica" e "Nasce um bairro, renasce a esperança".

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Publicado

27-03-2025

Como Citar

ALMENDRA, Alex Gonçalves; BATISTA DOS SANTOS JUNIOR, Raimundo; FONTINELES, Cláudia Cristina da Silva. ENERGIA SOLAR, CRESCIMENTO ECONÔMICO E VULNERABILIDADE SOCIAL:: O CASO DE SÃO GONÇALO DO GURGUÉIA (PI). Conexão Política, [S. l.], v. 14, n. 1, 2025. DOI: 10.26694/2317-3254.rcp.v14i1.9054. Disponível em: https://periodicos.ufpi.br/index.php/conexaopolitica/article/view/9054. Acesso em: 29 jun. 2026.

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