Fazer justiça [climática] às plantas

Um lugar para os vegetais na Ética das Virtudes

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.26694/pensando.vol17i40.8419

Palabras clave:

Justiça Climática, Ética Vegetal, Antropocentrismo, Hans Jonas, Martha Nussbaum

Resumen

No presente artigo pretendemos ampliar o conceito de justiça climática para incluir os vegetais, compreendendo o conceito, portanto, não apenas como resposta à distribuição desigual dos danos ambientais entre seres humanos, mas como enfrentamento possível no horizonte da justiça multiespécies. Inspirados pela ética das virtudes, pretendemos demonstrar que a emergência climática envolve tanto injustiças distributivas e corretivas quanto injustiças por omissão, uma vez que a devastação do mundo vegetal decorre não só de ações diretas, mas também da passividade diante do desmatamento, da monocultura, da manipulação genética e da degradação ecossistêmica. Pretendemos argumentar ainda, amparados em Jonas, que as plantas não podem ser tratadas como meros recursos, pois possuem valor intrínseco, finalidade própria e papel decisivo na manutenção das condições da vida terrestre. Em diálogo crítico com Martha Nussbaum (metodologicamente falando, aproveitando-se dos seus argumentos para denunciar o limite das suas posições) e com fundamento ontológico e ético em Hans Jonas, defendemos que a noção de justiça deve ser estendida às plantas, entendidas como seres vivos cujo florescimento precisa ser protegido. Por fim, propomos que a admiração e a indignação operem como virtudes de uma ética vegetal, capazes de romper a indiferença antropocêntrica e sustentar uma ética e uma política fitocêntrica orientada pela responsabilidade, pelo cuidado e pela preservação da biodiversidade.

Biografía del autor/a

Jelson Oliveira, Pontificia Universidade Católica do Paraná

Professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Pesquisador do CNPq, com bolsa de produtividade em pesquisa (Pq2). É atual coordenador adjunto dos programas profissionais da área de Filosofia, na CAPES. Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (1999), especialização em Sociologia Política e mestrado em História da Filosofia Moderna e Contemporânea pela mesma Universidade (2004) e doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos, com pesquisa sobre a Amizade em Nietzsche. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade de Exeter (Reino Unido), com bolsa CAPES (2016) e na Université Catholique de Louvain (Louvain-la-Neuve, Bélgica, 2022). Foi bolsista produtividade da Fundação Araucária entre 2018 e 2020. Foi professor do Mestrado em Direitos Humanos da PUCPR (2015-2017), coordenador do Curso de Licenciatura em Filosofia (2009-2011) e do Programa de Pós-graduação - mestrado e doutorado (2012-2013; 2018-2020) da PUCPR, onde foi também Diretor de Graduação (2014-2015). Foi professor visitante na Univerisdade Católica de Moçambique (2018), na Universidade Nacional do Timor Leste (2019) e na Universidade Federal do Paraná (2022). É membro do Grupo de Pesquisa Hans Jonas do CNPq, é coordenador do GT Hans Jonas; membro do GT de Filosofia da tecnologia e da técnica e do GT Nietzsche da ANPOF (Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia). É diretor-fundador da Cátedra Hans Jonas da PUCPR, criada em 2020. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética e História da Filosofia Contemporânea, Fenomenologia da vida, Filosofia da Técnica e da Tecnologia, Filosofia do Meio Ambiente e Ética Ambiental, atuando principalmente em torno de autores como Nietzsche e Hans Jonas.

Grégori de Souza, Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Professor da Graduação EAD na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Investigador do PRAXIS Centro de Filosofia, Política e Cultura da Universidade da Beira Interior (Bolsa FCT). Doutorando em Filosofia na PUCPR em regime de cotutela com a Universidade de Coimbra (UC), com Doutorado Sanduíche (PDSE) na Universidade de Valladolid e período de mobilidade Erasmus+ no Mary Immaculate College de Limerick, Irlanda (2023). Investigador Convidado no Departamento de Filosofia da Universidade de Valladolid (2024). Mestre em Filosofia pela PUCPR e Especialista em Ética e Direitos Humanos pela Faculdade Vicentina (2021). Bacharel em Filosofia pela PUCPR (2019). Atua na linha de pesquisa em Ética e Filosofia Política do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCPR, com foco na relação entre ontologia e ética em Hans Jonas. Conselheiro Executivo do Centro Hans Jonas Brasil e membro de diversos grupos de pesquisa do CNPq, incluindo: Hans Jonas, Filosofia Educacional, Educação Ambiental: uma construção transatlântica (GPEAT) e Pós-positivismo em Perspectiva. Integra também os GTs Hans Jonas e Filosofia da Tecnologia e da Técnica da ANPOF. Seus principais temas de interesse incluem Ética da Responsabilidade, Filosofia Vegetal, Ética Ambiental, Fenomenologia da Vida, Biologia Filosófica, Filosofia do Meio Ambiente, Ética e Educação Ambiental, Filosofia da Técnica e Tecnologia, Antropoceno, Direitos Humanos e Pós-Humanos.

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Publicado

2026-07-31

Cómo citar

OLIVEIRA, Jelson; DE SOUZA, Grégori. Fazer justiça [climática] às plantas: Um lugar para os vegetais na Ética das Virtudes. Pensando - Revista de Filosofia, [S. l.], v. 17, n. 40, p. 79–94, 2026. DOI: 10.26694/pensando.vol17i40.8419. Disponível em: https://periodicos.ufpi.br/index.php/pensando/article/view/8419. Acesso em: 2 ago. 2026.

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