A PRÁXIS DA INICIAÇÃO CIENTÍFICA COMO PONTO DE PARTIDA PARA O ACESSO E DEMOCRATIZAÇÃO DA CIÊNCIA
DOI:
https://doi.org/10.26694/caedu.v8i1.8356Palavras-chave:
Iniciação científica e tecnológica na educação básica, Práxis na iniciação científica e tecnológica, Interseccionalidade, Desigualdades educacionaisResumo
Este artigo analisa as contribuições de programas de iniciação científica na educação básica para a conformação de trajetórias acadêmicas e profissionais, com ênfase na população feminina e negra, tomando como referência o Programa de Vocação Científica (Provoc) da Fiocruz Minas. Pioneiro na iniciação científica para estudantes do ensino médio de escolas públicas, o Provoc visa aproximar adolescentes da prática científica, incentivando o ingresso no ensino superior. O texto aborda resultados de uma pesquisa realizada com egressos do Provoc Fiocruz Minas, participantes do Programa entre 1998 e 2019, complementado por análise de dados educacionais nacionais. Os resultados apontaram predominância feminina entre os egressos, enquanto a participação de estudantes negros mostrou-se proporcionalmente menor, indicando a necessidade de fortalecimento de estratégias inclusivas. Também foi evidenciado que 99% dos participantes ingressaram no ensino superior, com parcela significativa alcançando a pós-graduação. Os depoimentos dos egressos revelam que a vivência precoce no ambiente científico favoreceu o desenvolvimento do pensamento crítico, a desmistificação da ciência e a definição de projetos profissionais. A relação orientador-orientando destacou-se como elemento central no processo formativo, favorecendo a construção de vínculos, o fortalecimento da autoestima e a aproximação dos estudantes com a prática científica. Conclui-se que iniciativas de iniciação científica na educação básica configuram estratégia potente para democratizar o acesso à ciência, reduzir desigualdades estruturais e promover a formação cidadã e científica de adolescentes e jovens estudantes.
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