A Espacialização da Hegemonia Política
Território, Estado e Matriz Espacial no “Último Poulantzas”
DOI:
https://doi.org/10.26694/cadnep.v2i1.9039Palabras clave:
Estado, espaço, hegemonia, matriz espacial, Poulantzas – teoria política, PoulantzasResumen
O artigo analisa o problema da espacialização da hegemonia política a partir da reflexão sobre o espaço na obra tardia de Nicos Poulantzas, com foco nas relações entre Estado, território e dominação de classe. Com base em uma abordagem teórico-conceitual, reconstrói as formulações do autor sobre o espaço e destaca o conceito de matriz espacial, introduzido por Poulantzas, como uma categoria importante para a reflexão sobre o problema do espaço em diferentes formações sociais. O argumento central é que a hegemonia não opera apenas no plano ideológico, mas também por meio da organização territorial da dominação, sendo o Estado o principal operador da estruturação espacial das relações sociais. O texto sustenta, ainda, que o capitalismo produz uma estrutura jurídico-política (e o sistema de instituições a ela correspondente) hierárquica e territorialmente desigual, articulando sistemas nacionais e subsistemas regionais de poder. O caso brasileiro é mobilizado para ilustrar a coexistência entre centros hegemônicos e periferias subordinadas. Ao final, conclui-se que Poulantzas oferece uma contribuição decisiva para “especializar” a teoria marxista do Estado, embora permaneçam limites em sua sistematização do conceito de matriz espacial e na articulação entre espaço, bloco dominante e níveis territoriais de hegemonia
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