EXPLORAÇÃO SEXUAL E DINÂMICAS DE PODER: O BORDEL DE MAUTHAUSEN
The brothel of Mauthausen
Palavras-chave:
Nazismo e filosofia, Hannah Arendt e a ideologia nazista, Michel Foucault e o nazismo, Nazismo e exploração sexual, Relações de poder e sexualidadeResumo
Este texto procura lançar luz sobre um aspecto frequentemente negligenciado da era nazista: a criação de bordéis em diversos campos de concentração. Bordéis foram estabelecidos em oito campos ao todo: Mauthausen (1942), Auschwitz (1943), Buchenwald (1943), Dachau (1944), Dora-Mittelbau (1944), Sachsenhausen (1944), Neuengamme (1944) e Flossenbürg (1943-1944). O foco deste estudo será o campo de concentração de Mauthausen, localizado nas proximidades de Linz, na Alta Áustria. Embora numerosos aspectos da ideologia e das práticas nazistas tenham sido amplamente explorados, as dimensões sexuais do regime permanecem, em grande parte, ignoradas — muitas vezes em razão de uma combinação entre o pudor dos investigadores e a escassez de fontes primárias, como relatos em primeira mão das mulheres submetidas a esses bordéis. Este estudo tem como objetivo examinar criticamente o uso da exploração sexual e de dispositivos de poder como instrumentos de dominação e controle no interior do regime nazista, particularmente no contexto dos campos de concentração. Dentro desse escopo, buscaremos apoiar-nos no aporte teórico de Hannah Arendt e Michel Foucault. Ao analisar tais práticas, o artigo pretende revelar de que maneira a violência sexual funcionava como ferramenta para reforçar a autoridade do regime e subjugar suas vítimas.



