DA VONTADE DE POTÊNCIA À SITUACIONALIDADE: O CORPO EM NIETZSCHE E JUDITH BUTLER
DOI:
https://doi.org/10.26694/cadpetfilo.v16i32.6335Abstract
O presente artigo analisa a constituição histórica da noção de corpo na tradição filosófica ocidental, marcada pela supremacia da razão e pela consequente desvalorização do corpo. Parte-se da herança platônica, especialmente no Fédon, passando pela tradição cristã em Paulo, Tertuliano e Agostinho, que privilegia a alma e associa o corpo ao erro e à corrupção. Essa perspectiva estende-se à filosofia moderna, notadamente em Descartes, cuja metafísica reforça a suspeita sobre o corpo enquanto fonte de conhecimento. À luz da crítica nietzschiana, tal tradição é compreendida como expressão de uma metafísica da substância, da essência e da identidade fixa, que aprisiona o corpo em modelos normativos. Em contraste, o artigo examina como Nietzsche propõe o corpo como campo de forças, processo e devir. Na contemporaneidade, Judith Butler radicaliza essa intuição ao conceber o corpo e a identidade como efeitos performativos da repetição de normas. Assim, busca-se aproximar a noção nietzschiana de corpo do conceito butleriano de performatividade, evidenciando um deslocamento crítico da metafísica para uma compreensão dinâmica e histórica do corpo.

