A INVISIBILIDADE DAS MULHERES NEGRAS NA SOCIEDADE
UMA ANÁLISE A PARTIR DAS PERSPECTIVAS DE SIMONE DE BEAUVOIR E GRADA KILOMBA ACERCA DA CATEGORIA “OUTRO”
DOI:
https://doi.org/10.26694/cadpetfilo.v15i30.4997Resumen
O presente artigo propõe uma análise da invisibilidade das mulheres negras na sociedade, destacando como esse fenômeno se perpetua historicamente. Para abordar essa problemática, recorre-se às obras de Simone de Beauvoir e Grada Kilomba, que lançam luz sobre a categoria do “Outro” como um elemento crucial na construção dos papéis sociais das mulheres. Beauvoir, em sua obra seminal O Segundo Sexo I (1949), critica a construção social da identidade feminina. A filosofia de Beauvoir é intrinsecamente ligada à sua própria experiência de vida, e sua análise da condição das mulheres se configura como uma via para compreender a formação dos papéis sociais. Mulheres se constituem a partir de uma complexa rede de influências, incluindo fatores materiais, biológicos e psicológicos, no qual a relação com o “Outro” desempenha um papel crucial. No entanto, Grada Kilomba, ao introduzir uma interseção entre gênero e raça, aponta para outra dimensão da categoria “Outro” no contexto das mulheres negras, situando-as como o “Outro do Outro” na estrutura social, muitas vezes sendo apagadas das lutas feministas contemporâneas. Considerando essas duas perspectivas, emerge a relevância da interseccionalidade como uma ferramenta teórica fundamental para a análise dos marcadores sociais, incluindo raça, classe e gênero. Nesse sentido, Grada Kilomba ressalta a importância de abordagens interseccionais que considerem esses recortes e interconexões. Este trabalho é estruturado em dois pontos essenciais: a) a apresentação das perspectivas de Beauvoir, e b) uma problematização das suas limitações à luz da obra Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Cotidiano (2008) de Grada Kilomba. A análise conjunta dessas autoras proporciona uma visão mais completa das complexidades que envolvem a construção dos papéis sociais, lançando um olhar crítico sobre as limitações das abordagens unidimensionais na filosofia e nos estudos de gênero.

