As ligas camponesas no Piauí: crítica epistemológica à narrativa acadêmica
DOI:
https://doi.org/10.26694/rec.v21i1.9466Palabras clave:
Piauí, Movimentos Sociais, CampesinatoResumen
Este artigo analisa criticamente a produção acadêmica local dedicada às Ligas Camponesas no Piauí, com atenção especial à experiência organizativa de Matinhos, no município de Campo Maior. A reflexão parte de uma questão central: em que medida determinadas interpretações produzidas sobre as Ligas reproduzem modelos explicativos construídos a partir de experiências de outras regiões, sobretudo Pernambuco, e, ao fazê-lo, acabam por reduzir ou homogeneizar a especificidade histórica piauiense? A análise toma como referência a produção acadêmica identificada no estudo, reunindo trabalhos de História, Geografia e Sociologia, e organiza essas pesquisas em três eixos interpretativos: o primeiro atribui protagonismo quase exclusivo aos camponeses; o segundo enfatiza a atuação de agentes externos, especialmente Igreja Católica, Estado e Partido Comunista; e o terceiro combina o protagonismo camponês com a influência de forças políticas e organizativas externas. A discussão mobiliza contribuições de E. P. Thompson, Eric Hobsbawm, Michel de Certeau, José Murilo de Carvalho, Boris Fausto, Antônio Torres Montenegro e outros autores utilizados na investigação. Defende-se que a experiência de Matinhos não deve ser avaliada exclusivamente pela proximidade ou distância em relação ao modelo revolucionário associado às Ligas de Pernambuco. A organização camponesa piauiense precisa ser compreendida a partir de suas próprias condições históricas, relações sociais, formas de resistência, demandas, estratégias e vínculos locais. Conclui-se que a ampliação das fontes, especialmente orais e locais, e a superação de leituras generalizantes são fundamentais para uma historiografia capaz de reconhecer a pluralidade das experiências camponesas no Piauí.
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