O new journalism em Torquato Neto: marcas da contracultura norte-americana na imprensa brasileira
DOI:
https://doi.org/10.26694/rec.v21i1.9470Palavras-chave:
História, Brasil, Torquato Neto, Jornalismo, ContraculturaResumo
Entre os anos de 1971 e 1972, o poeta e jornalista Torquato Neto fez experimentos de linguagem no jornalismo, ao aplicar a estética do fragmento nos seus textos, transportou para as folhas do jornal impresso os recursos literários do concretismo e os ideais da contracultura. Uma espécie de engajamento artístico literário anunciada anteriormente, em forma de música – manifesto, na canção Geleia Geral, parceria dele com Gilberto Gil. Este experimentalismo deu-se nas colunas Cinemateca e Geleia Geral. A primeira, publicada no caderno Plug, um suplemento cultural publicado pelo jornal carioca Correio da Manhã e segunda, publicada no jornal Última Hora, ambos periódicos do Rio de Janeiro, com circulação em todo o país. O jornalismo de Torquato Neto nesta fase está diretamente relacionado a três fenômenos históricos que permeiam o fazer jornalístico nos meados dos anos de 1960 e 1970: inicialmente o New Jornalism, movimento que iniciou nos Estados Unidos, diretamente ligado ao movimento de contracultura; em segundo momento, o conceito de “contracomunicação”, desenvolvido por Décio Pignatari e que caracterizaria o fenômeno da imprensa alterativa e, por último, o processo de subjetivação do medo no contexto histórico de censura no Brasil. A coluna Geleia Geral, apresenta-se, portanto, como confluência destes fenômenos que caracterizam a produção jornalística do período, sendo um espaço de inventividade e de persistência libertária para a comunicação.
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