Cordel em 16mm: narrativas sobre o sertão nordestino no filme Tio João (1978)
DOI:
https://doi.org/10.26694/rec.v21i1.9460Palavras-chave:
História, Cinema, Documentário, Nordeste, Tio JoãoResumo
O trabalho analisa o documentário Tio João (1978), dirigido por Antônio Noronha, como um dispositivo de representação do Nordeste brasileiro e, especificamente, do Piauí. Filmado em 16mm e premiado em festivais nacionais, o filme articula a linguagem documental à estética do cordel para narrar a trajetória de João Batista, lavrador de um povoado no município de Bom Jesus do Gurguéia que, de forma isolada, ergueu uma igreja em devoção a São João. A obra conta com desenhos do artista gráfico Arnaldo Albuquerque emulando xilogravuras, e com a narração de Vicente Evangelista, a partir de versos de João José Piriri, em formato de cordel e repente. Investiga-se como o filme, produzido na crise do “Milagre Econômico” e sob a égide da Ditadura Militar, constrói um discurso que privilegia a tradição e o misticismo sertanejo em oposição à retórica oficial de progresso e industrialização do período. Metodologicamente, o trabalho ampara-se na História Cultural e na análise de fontes audiovisuais, utilizando a película, entrevistas com realizadores e textos de época. Busca-se compreender como Tio João se insere no cenário do documentarismo brasileiro dos anos 1970, operando uma sensibilidade experimental que busca dar visibilidade a sujeitos e espaços marginais, ao mesmo tempo tidos como tradicionais, aos projetos de modernização nacional.
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